quarta-feira, 11 de novembro de 2009

dentro dum livro de mourão-ferreirat, talvez que nos calendários antigos, das variações para um cravo antigo [leonardo b.]

 

leonardo b.

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Dentro dum livro de Mourão-Ferreirat

1.
Se a perfeição
Fosse uma ínfima parte da poesia
Seria poeta
Apenas pelo lado da fantasia.
E se as flores, como a felicidade
Desejassem ser para sempre
Um poema simples
(secreto meio-dia
Deste dia de namorados)
Feliz da felicidade
Feita por estas flores, esta poesia
Da minha idade, este distinto dia.
2.
Imagina tu,
Que a vida nem é um grande rio.
Senta-te, sorri e
Imagina tu
Que coloco a flutuar
Um barco de papel em branco.
Imagina, que sigo e perco de vista
O barco em papel, só porque fico sentado
Eu a observar o que ele flutua.
Imagina tu,
Que deixo uma pedra nesta margem
E lanço-me por esse rio, só porque quero flutuar,
Também.
Este rio corre, e eu como ele
E olho para trás e para a frente
E não medi as consequências deste flutuar,
Nesta pequena perspectiva de viver.
Imagina tu
Que te levo comigo neste pequeno sossegar,
Neste pequeno saber, sentir o rio a correr
Sem ficar parado a observar
Ou o que poderia acontecer.
Ou seja, imaginar
Que a vida não é apenas um rio que passa,
Mas por viver
O único em que podemos mergulhar.
Almada, 14 de Fevereiro de 1992

(…)

Talvez que nos calendários antigos

Talvez que nos calendários antigos
Se encontrem as ínfimas respostas
Para os ritmos da vida,
Para a beleza dos cânticos quase gregorianos
Das cascatas,
Mas hoje,
Procuramos certamente, algo menos.
Nos calendários,
Passas os dedos pelos números que marcam
As divisões dos meses;
Apenas os dias, os meses
E dantes
As luas e as colheitas,
O ritmo da vida e das marés.
Dá-me prazer,
Fugir do tempo e sorrir,
Como se promessas de dias pequenos
Fossem fugas bem preparadas,
Para partir.
Antes,
Se desafiadas as leis da física e das outras coisas
Pouco importantes, não nos preocupavam
O ser, e como tal o existir.
Essas coisas deixam-nos melancólicos:
Há muito que deixei de ser,
E até de existir,
Segundo as leis dos calendários e dos relógios
Antigos.
Sobrevivo
Porque bate o teu coração
No meu.


|sem data|

(…)

Só no silêncio se movem todas as coisas, finitas e infinitas

Só no silêncio se movem todas as coisas, finitas e infinitas.
Só assim os desígnios do meu corpo revelam o Ocaso e o Nascente,
A Terra firme e a Areia, as Nascentes, o Oceano mais profundo.
Disperso é a medida de que se faz o meu olhar único
Que só no mais profundo sulco terreno se dilui e brilha.
Dispersas as Árvores levemente tatuadas de sombras intemporais,
Sombras crescentes dos Dias, filhas recentes do Zénite e do Nadir.
No longe se equilibra a mais vazia distância,
O descobrir na minha, a tua mão de dedos desiguais.
Porém, se a Luz e a Névoa não são pertença do meu corpo dormente
É como se nada existisse. Nem Fogo, nem esta Cruz, nem o Mundo.
E se ao vazar da maré na praia mais distante, o meu coração fizer sentido,
Esse limite da minha voz jazente, encontrará no silêncio o seu inicio e fim
Então dormitará quase perdida, o resto de toda a minha memória insuficiente.


Vilamoura, s/d

(…)

Das Variações para um Cravo Antigo

à Ana Mafalda Castro, pela inspiração
Cravo de céu
Cravo de espinho
Crava a tua mão na minha.
Que tocata essa de teu cravo,
Que no amplo céu deste salão
Sala e quarto, vasto jardim
De alma enfunada ao vento,
Escuto e atento, na tua mão
Que em silencioso movimento,
Domina essa tecla quase adormecida.
Bela, a ordem natural,
Cravo quase pecado original,
Harmonia com o travo do vinho,
Aroma e harmonia, cave do mundo.
Obra tento e fantasia
De Cinco Kyrios tomadas do cálice
Da flor do craveiro, por tuas mãos
Silencio de onda em alto mar
Capa e contracapa de cravo
Que rodopia gira e dança
Entre os dedos teus e a harmonia
Da mais intima batalha, o original tom
Da criação. Tento de meio registo
Registo do mais alto véu, cravo
Cravo acúleo,
Cravo da terra aqueira,
Crava a tua mão na terra que se lavra
Enquanto a minha adormece na letra que se consome,
Desagua no céu nocturno, a palavra,
O risco cravo de espinho.

Castelo Rodrigo, 11 de Novembro de 2009

§§

Navegar é Preciso

Abandona o teu silêncio,
As palavras que decoraste
E os grãos de terra fáceis de contemplar.

Os versos acima, uma bela exortação à originalidade, são extraídos de um dos posts de "A última estação de Ricardo S., de Leonardo B. A partir de Colmeal Velho, em Portugal, o autor dispara, em três blogues, sua verve poética, produto original de um liquidificador lírico em que se misturaram essências de Dylan Thomas, Robert Frost, Emily Dickinson e Pessoa, entre outros ingredientes não menos grandiosos. Gostei sobretudo da extraordinária capacidade de Leonardo B. de se apropriar liricamente da paisagem exterior para lhe dar um sentido interno. É poesia muito acima da média, ditada por uma notável inquietação existencial a um talento irrequieto, sob a supervisão de uma alma poderosamente lírica.

De Márcio Almeida Júnior aqui

§§

viver não é necessário, o que é necessário é criar.

1º pelo seu blog, depois pelo myspace, iniciamos diálogo que não resisiti ao convite rapidamente aceito & acolhido: me antecipei uns minutos ao uníssono postando poema no 3ª Navegação, do poeta eleito que já disse não querer ser moderno.

de fato teriamos antes até tal postagem não fosse a dificuldade -- não geografica, ao que vocês sabem, ele é português -- senão por quem faria  a nota introdutória que oxalá, 1 amigo já havia feito, alhures.

votos sempre fazemos aos montes. esse, p. ex. deseja laços posteriores, à terra de fernando pessoa que amamos & lamentamos a falha da academia sueca: tabacaria não é o poema do século?

ao poeta, sigamos!

 

postagem de gilson figueiredo

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

buddha 1, waves x2 circle, symbol art [guy vincent] + entrevista exclusiva

GV-R-Portrait102909

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guy vincent é americano, artista naquela esteira dos maximídia: dado seu diálogo com diversas mídias, inclusive o twitetr. seu trabalho fascina pelo que de jovem evoca ao lançar suas antenas para a técnica, para arquitetura, para a natureza, para a poesia, para o mar, para a mística, para a beleza que ele, tal alquimista versátil & contemporâneo, re-cria, medita.

iniciei o dialogo pouco mais de um mês com ele via twitter e logo em seguida com sua representante aqui no brasil, a muito simpática @LizzieRz [também fecunda artista & poeta] de quem nos facilitou tradução & diálogo. aguardamos em breve poder contar com a presença física do artista citado em debate [especialmente aqui na bahia] terra apaixonada pela arte que, não podemos deixar de citar, conta com exposição de rodin no palacete das artes onde o editor dessa pagina já recitou e expôs. esperamos que o fazer artístico de guy vincent inspire nossa  pesquisa estética para o novo, que perseguimos desde sempre: make it new.

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Guy-Vincent is an North American artist walking in a path  of MAXImedia: we see it when we look at his dialogue with various media, including Twitter. He fascinates us by his work that evokes the youth, when he guides his antennas to technique, to architectural, to nature, to poetry, to sea, to the mystical, to the beauty that he re-creates, as a versatile & contemporary alchemist.

I started the dialogue with him a little over a month ago via Twitter and soon after with his International Artist Representative here in Brasil, the talented @LizzieRz [an artist & poet] who facilitated the dialogue & translation . We look forward to counting on the physical presence of the artist, in lectures and debates [especially here in Bahia] land of the love for art.  Also I'd like to mention, a current Rodin exhibition at the Palacete das Artes where the editor of this BLOG has recited his poems and expose of his work . I hope the visual style of artist Guy-Vincent inspires us to always pursue and obtain new ideas, and new aesthetic directions.

 

§§

Buddha-1

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9-29-09

10-11-09

10-15-09

LOVE-102409

§§

1. The dialogue with the technology seems to permeate all your artwork: do you believe in the possibility of art without technology?

My primary interest as an artist is developing a unique visual language that effectively communicates and articulates my specific concept. Less important are the tools necessary to realize that concept. I’ve learned to adapt and manipulate the available tools to obtain my desired vision. The most crucial aspect of making art is the ability

to develop a clear concept and vision of the entire work. A recent example of this is my partnership and collaboration with artist, architect Lizzie Rezende from Sao Paulo,

Brazil (http://twitter.com/LizzieRz) where we’ve transferred my ‘symbol art” into unique sculptural pieces of furniture. We look at this as a synthesis that merges art, sculpture, furniture, and technology together to create work that may be defined in several different categories. I love the idea of re-contextualizing our perceptions of what we define as art.

2. What really makes you believe that the art isn’t finished?

I’ve always believed in the transformative power of art from my earliest memories to the present. Throughout the ages, art continued to change and be redefined, but the essential elements of art making have remained. Part of our human experience is to create, communicate, and search for meaning. Art provides a significant portal for us to view the past, present, and future in new and exciting ways. Our desire to create and manifest our visions provides tangible evidence of societies existence and quest to define who we are.

3. The technique = technology does that make the art that we see in all places somehow too commercial & even disposable?

In our society there is certainly a component of disposability. This exists not only in art but also in many aspects of modern life and culture. Perhaps the disposability of art begins with the intention of the artist. Generally I create two and three-dimensional works of art that are designed to last for many years. An exception to this is my “Symbol Art” on Twitter (@Guy_Vincent). I use Twitter as a tool to communicate poetry and graphics very quickly to a global audience. Although Twitter has a disposable aspect to it, I’ve decided to document select “Symbol Art” images on my website to allow the viewer to see how I intended the images to look. If you visit my twitter home page (http://twitter.com/Guy_Vincent or @Guy_Vincent) you can see a historical account of my work and conversations.

4. Science when discovers something new, discards what was suggested before. In this way technologic art didn't makes the poetry [the poetry that there is in it] one thing too transitory?

In my view, the essence of poetry and art can be found nearly everywhere. The things I look for are elements such as; balance, structure, patterns, rhythm, modulations, contrast, etc. The arts and science share many common characteristics each discipline influences the other with their discoveries. It is during the process of discovery that I look for poetry. For example, when looking at the leaves on a tree gently swaying back and forth, it may inspire the rhythm of a poem or movement in a painting. It is in this moment of attention to nature, to surroundings, to self, that reveals the quiet poetry available for all to see.

5. How could we understand your aesthetics?

Perhaps the easiest way to understand my aesthetic sensibilities is to visit my website at (http://www.guyvincent.net) to get an overview of the various medium s and materials I use as part of my artistic vocabulary. Because I work in many different mediums my art contains specific visual characteristic unique to the final material or combination of materials. When I look at my overall body of work there is a consistency of patterns, design, imagery, and words that serve to unify the artwork from my earliest beginnings to present day.

6. Does your art have some political speech?

Yes, at times my work has a very specific political intention, but most often my work connects with the viewer from an aesthetic viewpoint. I prefer that my images provide contemplation over an extended period of time, revealing subtle movements, and several interpretations. The mystery of finding deeper meaning within the artwork is something that I also enjoy while viewing or living with art.

7. Do you have some poetry book in the drawer? (Ready to publish)

I’ve just produced a signed limited edition CD of spoken word and music “Soul

Letters” featuring my poetry and original electronic music compositions. I have at least two other volumes of poetry ready to be released soon. I’m exploring unique ways to present my poetry besides the traditional poetry book format. This CD is an example

of my overall creative interests, it was a way for me to express myself and share my poetry in a more dynamic and intimate way.

8. The European way of life and especially post-modern and post-Christian, founded an autonomous art (separate) from the previous aesthetic movements? If that is the truth, to what degree does that impact your artwork?

Life and art are interconnected in numerous ways with things like my past, scope of knowledge, experience, and intuition, quest for knowledge, desire and passion. All of these experiences in some degree play a role in what I create. Whatever I’ve been exposed to leaves a trace in my conscious or subconscious mind. Before I begin the process of making artwork, I meditate and try to clear my mind of the past and only focus on the present moment, leaving myself open to receive and create the purest art that I can make

9. What are your influences and fundamental readings in the formation of your Weltanschauung (vision of the world)?

Perhaps, the greatest influences of my visual art come from my interest and passion for poetry. I especially admire the work of Charles Baudelaire, Lao Tzu, Rumi, and Jack Kerouac. These poets combined with painters such as Van Gogh and several other contemporary visual artists have provided me a historical reference in order to understand and present my vision of the world. For me, the most fulfilling aspect of creating art is within the art making proces s itself. From concept to development, to the final artwork, it’s a very intimate and organic proces s. After the work is completed, I view it as my “gift to the universe”. It takes on a different meaning, being perceived and discussed by others whom I don’t know personally. I find the entire process an extremely fulfilling and fascinating experience providing new challenges and opportunities.

10. Which advice would you give to the youth’s artists of all the times?

My advice to young artists is to understand the historical significance of art so it can serve as a foundation upon which to move forward. Authentic creativity comes from the inner desire of the individual to express, communicate, and push the boundaries of their vision. Even if you feel out of sync with your contemporaries, continue to seek clarity in your artistic vision and endeavors. The journey of life as a contemporary artist is a unique, complex, and magical opportunity for self-discovery and contributions to society.

Contact Information:

Guy-Vincent Ricketti Email: gvr@guyvincent.net Website: www.guyvincent.net

Website: www.guyvincent.tumblr.com

Artwork:

1. “Waves x2 Circle”

18 x 24 inches / 45.7 cm x 61 cm

Photograph

Edition 1 + 1 artist proof

2. “Buddha 1”

24 x 48 inches / 61 cm x 121.9 cm

Enamel Print, acrylic, varnish, on birch wood panel

Symbol Art: Created for twitter

1. “9-29-09” / Dimensions Variable

2. “10-11-09” / Dimensions Variable

3. “10-15-09” / Dimensions Variable

4. “Love-102409” / Dimensions Variable

Portrait:

1. Self Portrait 1009

8 x 11 inches / 20.3 cm x 27.9 cm

Photograph

Copyright Information

Artwork & Photography © 2009 Guy-Vincent Ricketti All rights reserved.

traduzido por:

Elizabeth C B Rezende
Guy-Vincent:  Artist Representative International
http://www.guyvincent.net
http://guyvincent.tumblr.com

:

1 O dialogo com a tecnologia parece permear todo a sua obra: o Sr. acredita na possibilidade de uma arte não-tecnológica?

Meu principal interesse como um artista é desenvolver uma linguagem visual única que comunica e articula efetivamente e especificamente o meu conceito. As ferramentas necessárias para realizar esse conceito são menos importantes. Eu aprendi a adaptar-me e a manipular os instrumentos disponíveis para obter a minha visão desejada. O aspecto crucial no fazer a arte é a capacidade de desenvolver um conceito e uma visão muito claros de toda a obra. Um exemplo recente disso é a minha parceria e colaboração com a artista, arquiteta Elizabeth C. B. Rezende de São Paulo, Brasil, (http://twitter.com/LizzieRz) em que juntamos minha "Symbol Art" e peças únicas de seus móveis / esculturas. Nós olhamos para essa parceria como uma síntese que mescla arte, escultura, mobiliário e tecnologia para criar trabalhos que podem ser definidos em diversas categorias. Eu amo a idéia de re-contextualizar a nossa percepção do que nós definimos como arte.

2 O que realmente lhe faz acreditar que arte não acabou?

Eu sempre acreditei no poder transformador da arte desde as minhas primeiras lembranças até o presente. Ao longo dos séculos, a arte continuou a mudar e ser redefinida, mas os elementos essenciais para criar arte permaneceram. Parte da nossa experiência humana é criar, comunicar e buscar um sentido. A arte oferece um portal importante para vermos o passado, presente e futuro de maneiras novas e emocionantes. Nosso desejo de criar e manifestar nossas visões provê evidência tangível da existência de sociedades e indagações para definir que somos nós.

3 A técnica [no sentido tecnológico que a palavra reclama] não torna essa arte que aí está de algum modo demasiado comercial & por isso mesmo descartável?

Na nossa sociedade é certamente um componente da descartabilidade. Isso não acontece apenas na arte, mas também em muitos aspectos da vida e da cultura moderna. Talvez a descartabilidade da arte começa com a intenção do artista. Geralmente eu crio obras de arte bi e tridimensionais as quais são concebidas para durar muitos anos. Uma exceção a isso é a minha “Symbol Art” no Twitter @Guy_Vincent. Eu uso o Twitter como uma ferramenta que me permite exibir instantaneamente minha poesia e minha arte gráfica para uma audiência global. Embora o Twitter possa ter um aspecto descartável eu decidi documentar em meu site uma seleção de imagens da minha “Symbol Art” para que o espectador, ao olhar as imagens, veja qual era a minha intenção. Se você visitar a minha página no Twitter (http://twitter.com/Guy_Vincent) ou @Guy_Vincent você poderá ver um histórico de meu trabalho e diálogos.

4 A ciência se contenta em quando descobre algo novo, descartar aquilo que havia sugerido, nesse sentindo, uma arte tecnológica não torna a poesia [que há nela] uma coisa demasiado Épocal?

Em minha opinião, a essência da poesia e da arte pode ser encontrada em quase toda parte. As coisas que eu procuro são elementos tais como: equilíbrio, estrutura, padrões, ritmo, modulações, contraste, etc. As artes e a ciência possuem muitas características em comum. Uma influenciando a outra com suas descobertas.

É durante o processo de descoberta de que eu olho para a poesia. Por exemplo, ao olhar para as folhas de uma árvore balançando suavemente para trás e para frente, pode nascer a inspiração para o ritmo de um poema ou para um movimento em uma pintura. É neste momento de atenção à natureza, ao ambiente, ao meu interior, que me é revelada a calma poesia, disponível a que todos que apreciam.

5 Como poderíamos compreender a sua estética?

clip_image001Talvez a maneira mais fácil de compreender a minha sensibilidade estética seria visitar o meu website (http://www.guyvincent.net) para obter uma visão geral dos vários meios e materiais que utilizo como parte do meu vocabulário artístico. Porque eu trabalho em diferentes ambientes minha arte contém uma característica visual única e específica para cada material ou combinação de materiais e objetivo final. Quando eu olho para o corpo geral do meu trabalho, há uma coerência de padrões de design, de imagens e de palavras que servem para unificar a minha obra artística desde os meus trabalhos iniciais até a minha produção nos dias de hoje.

6 Sua arte tem algum discurso político?

Sim, às vezes, meu trabalho tem uma intenção política muito específica, mas na maioria das vezes, o meu trabalho conecta-se com o as pessoas desde um ponto de vista estético. Eu prefiro que as minhas imagens estimulem a contemplação durante um período prolongado de tempo, revelando movimentos sutis e várias interpretações. O mistério de encontrar um significado mais profundo dentro da obra de arte é algo que eu também desfruto enquanto admirador ou enquanto envolvido pela arte.

7 O Sr. tem algum livro de poesia na gaveta?

Eu acabo de produzir um CD com edição limitada, numerado e assinado - Spoken Word and Music -“SoulLetters” apresentando minha poesia e composições originais de música eletrônica. Tenho pelo menos dois outros volumes de poesia prontos para lançamento em breve. Estou explorando maneiras originais de apresentar a minha poesia, além do tradicional formato de livro de poesia. Este CD é um exemplo de meus globais interesses criativos. Uma maneira de me expressar e compartilhar a minha poesia de um modo mais dinâmico e íntimo.

8 O modo de vida europeu & especialmente pós-moderno & pós-cristão fundaram uma arte autônoma dos movimentos estéticos anteriores? Isso, se verdade, em qual grau atinge seu fazer artístico?

Vida e arte são e sempre estiveram interligados de várias maneiras em todos os tempos na história da arte.

O meu passado, todo o meu conhecimento adquirido, a minha experiência, intuição, busca por conhecimento, desejo e paixão; todas essas experimentações em algum grau desempenharam e desempenham um papel no que eu crio. Tudo ao que eu fui exposto deixou um rastro no meu consciente ou subconsciente. Antes de começar o processo de fazer arte, medito e tento limpar a minha mente do passado e foco no momento presente, abrindo-me para receber e produzir a mais pura arte que eu puder criar.

9 Quais são suas influencias & leituras fundamentais na formação da sua Weltanschauung ?

Talvez, as maiores influências da minha arte visual vêm de meu interesse e paixão pela poesia. Eu particularmente admiro o trabalho de Charles Baudelaire, Lao Tzu, Rumi, e Jack Kerouac. Esses poetas, assim como pintores como Van Gogh e vários outros artistas visuais contemporâneos deram-me uma referência histórica, a fim de compreender e apresentar minha visão do mundo. Para mim, o aspecto mais gratificante da arte está dentro do processo de criar a arte em si. Desce o desenvolvimento do conceito até a arte final, é um processo muito íntimo e orgânico. Após a conclusão do trabalho, eu o percebo como o meu dom universal que permite que um diferente significado seja percebido e discutido por outros que não me conhecem pessoalmente. A totalidade do processo é a extremamente gratificante e fascinante experiência de proporcionar novos desafios e oportunidades.

10 Qual conselho o Sr. daria aos jovens artistas de todos os tempos?

Meu conselho para os jovens artistas é compreender o significado histórico da arte para que ele possa servir como um alicerce sobre o qual avançar. Criatividade autêntica vem do desejo interior do indivíduo para expressar, comunicar e empurrar os limites de sua visão. Mesmo que você se sinta fora de sincronia com os seus contemporâneos, continue a procurar clareza na sua visão artística e empreendimentos. A jornada da vida como um artista contemporâneo é uma oportunidade única, complexa e mágica para a auto- descoberta e contribuições para a sociedade.

 

postagem & perguntas de gilson figueiredo

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

paisagem do agora [fábio vanzo]

fabio vanzo

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Deitado naquela mesma cama, vendo a mesma paisagem, enquanto entrelaçava os dedos do pé e se cobria/descobria na dúvida entre sentir frio ou calor, suar ou tremer, a paisagem vista através da janela era a mesma, uma manhã nevoenta e ensolarada em que borboletas ordinárias voavam desordenadas e plantas do que parecia ser tabaco chacoalhavam para lá e para cá conforme o vento quente-frio assobradava a área perto do quarto.

Desejava um alívio, um lívido vício que o libertasse daquele cárcere intangível do não-ser. Um vinho, um vestido de linho, um buquê de lírios, uma variável incompreensível, qualquer prazer mundano que o fizesse esquecer que o mundo estava ali, dando as caras. Qualquer dor serviria.

Era tão desligado de tudo que acontecia em volta que nem faria diferença. Em seus poemas, nunca mostrados a ninguém, rimava amor e dor sem peso na consciência. Além de não ligar pr’aquela ridícula questão estética, pensava que os dois sentimentos estavam mesmo intimamente ligados, mais do que paixão e ódio.

Olhou de novo. Imaginou-se num banho quente, cheio de aromas, e viu então todo o mundo lá fora com um imenso amálgama de azul-profundo de céu e verde vivíssimo de plantas que dançavam graciosamente, cheias de vida. Borboleteavam todos os insetos e todas as aves, e a paisagem ao fundo, outrora de siderúrgicas e petrolíferas, havia se tornado uma imensa serra esmeraldina de esperança.

Pouco importava se fosse apenas impressão. Sempre fora meio solipsista mesmo... se ele quisesse que o horizonte tivesse um fim, e fosse final feliz, ao alcance do coração, que assim fosse.

Vida de oásis sem deserto que lhe desse sentido para existir, daquilo sim ele estava cansado. Um tanto de instantes de prazer que não justificavam, sequer o deserto de sua vida.

Enquanto isso, seu coração, já tão remendado, se ressentia de mais sonhos impossíveis. Mas o que seria sonhar senão querer o que jamais aconteceria? Sonhar era estar no Inferno e sonhar com o Paraíso. Nada mais.

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vanzo

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Fábio Vanzo [ twitter ] não é mais um jornalista paulistano. Podia estar matando, podia estar metido com política, mas decidiu escrever mesmo. Gosta de traçar paralelos entre música, religião (e a falta dela), literatura e a vida real. Gosta de instigar o leitor. É preciso estar atento para ler seus textos, uma vez que cada frase nunca é somente um punhado de palavras.

sarah kelly  blog aqui

 

postagem de gilson figueirdo

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