quinta-feira, 31 de março de 2011

francisco k, antologia



a palavra vai
à palavra
tonta
véu de
estranheza –
consuma-a e
não: a junção
mais dura
e: movimento
em falso

um som vai
a outro –
gesto
irrompe
– um
deslizamento
que
saqueia
o céu

(de Aresta)

vide o
verso
do éden
de onda
espumante
emana

 vida
dúvida
áspide
disse:
morda

morda
amor

eva-
evento
sobre-
vem-nos
em si
nua
outro
sentido

corpos
lançam-se
caem
(já não
anjos
não animais)
no ser
em
abismo

(de eu versus) 

ditirambo

pantera
fareja

tirso
trisca

mênades
meneiam

corça
salta

pedra
verte

bacantes
abatem

dioniso
dinamiza

(de eu versus) 

nada
ainda
se
diz

o que soa
volteia
irresol
vível

algaravia
conversa
desconexa
na treva

riscamos
no chão
incerto
signo

(de Diz)

Francisco K nasceu no Recife (1961) e mora em Brasília desde os 5 anos. Concluiu licenciatura em Letras e mestrado em Comunicação na Universidade de Brasília, este último com dissertação sobre o filme Limite, de Mário Peixoto. Participou dos eventos intersignos Labirinto Transparente (no grupo Heleura, 1987),  Afrofuturismo (várias edições, de 1999 a 2003) e Obranome II (Museu Nacional de Brasília, 2008). Publicou os livros de poesia Aresta / Hagoromo (Thesaurus, 1990), 1001 (Noosfera, 1997), eu versus (7 Letras, 1999), Poesia Aporia (7 Letras, 2002) e Diz (Casa das Musas, 2007). Tem no prelo o livro Poesia? e Outras Perguntas, de textos críticos.

postagem de gilson figueiredo

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